A doença de Newcastle foi confirmada em 18 de outubro de 2026 em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC). As amostras, coletadas em 21 de setembro em aves sem sinais clínicos, vieram da vigilância ativa. Até 20 de outubro, México, China e Chile restringiram a compra de produtos avícolas brasileiros [1][3][4].
O episódio ilustra um princípio central da sanidade avícola, o conjunto de medidas de prevenção, vigilância e controle que protege a saúde das aves e a segurança da produção. O princípio é este: um lote pode estar infectado antes de apresentar qualquer sinal clínico, e por isso a infecção só é identificada pelo diagnóstico laboratorial, não pela observação das aves. O impacto comercial foi imediato. China e Chile restringiram as importações apenas de Santa Catarina, enquanto o México suspendeu a compra de produtos avícolas de todo o Brasil [1][3][4].
Este artigo reúne o que se sabe até 21 de outubro, resume o que a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) diz sobre o diagnóstico e discute os limites do PCR na vigilância.
Sumário
- O que aconteceu em Santa Catarina?
- Quais países restringiram as compras de aves do Brasil?
- O que é a doença de Newcastle?
- Por que a ausência de sinais clínicos não dispensa o teste?
- Qual o papel do PCR e quais são seus limites?
- O que o foco de 2024 no Rio Grande do Sul ensina?
- Qual a solução da Bioperfectus para a vigilância de Newcastle?
- Limitações e leitura crítica dos dados
- Perguntas frequentes
O que aconteceu em Santa Catarina?
O Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP) confirmou, no domingo, 18 de outubro, a doença de Newcastle em uma granja comercial de perus de corte em Nova Itaberaba [3][4]. A propriedade foi interditada e está sob medidas de contenção sanitária [3].
A granja tem cerca de 6 mil aves, que serão sacrificadas. As amostras foram coletadas em 21 de setembro, em aves sem sintomas, durante vigilância ativa [4].
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) definiu uma área de restrição de aproximadamente 10 km ao redor do foco, que inclui Nova Itaberaba, Nova Erechim, Águas Frias e Coronel Freitas. Nesses municípios, 133 granjas passaram a ser monitoradas [4].
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que o consumo de carne de aves com inspeção oficial não oferece risco [4].
Quais países restringiram as compras de aves do Brasil?
Até a atualização do MAPA de 20 de outubro, três países haviam adotado medidas, com alcances diferentes [1][3][4]:
| País | Alcance | Produtos citados |
| México | Todo o Brasil | Aves vivas, carne e miúdos, ovos férteis, pintinhos de até três dias, aves canoras, ornamentais, de rapina e de companhia |
| China | Somente Santa Catarina | Carne de aves; a medida atinge 14 das 61 plantas habilitadas a exportar ao país |
| Chile | Somente Santa Catarina | Ovos férteis, ovos SPF, ovos para consumo, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves e produtos que a contenham |
Santa Catarina exportou 111 mil toneladas de carne de frango em setembro, para todos os destinos, e a China importou cerca de 420 mil toneladas de frango brasileiro de janeiro a setembro de 2026 [3].
Segundo o MAPA, a negociação do governo brasileiro com Pequim evitou a suspensão nacional, e cabe à China, pelo acordo sanitário, definir a abrangência da medida [1][4]. Não há prazo definido para a retomada, e o MAPA informou que mantém o diálogo com os importadores para uma retomada segura do comércio [1][3].
O que é a doença de Newcastle?
A doença de Newcastle é causada por cepas virulentas do paramixovírus aviário tipo 1 (APMV-1), do gênero Orthoavulavirus, família Paramyxoviridae. Segundo o Manual Terrestre da WOAH, o vírus pode infectar mais de 200 espécies de aves, e a gravidade varia com o hospedeiro e a cepa [6].
A virulência é definida pelo índice de patogenicidade intracerebral (ICPI), sendo virulento um valor igual ou superior a 0,7. Também se considera virulento o vírus com múltiplos aminoácidos básicos no sítio de clivagem da proteína F e fenilalanina na posição 117 da proteína F [6].
Os sinais clínicos são muito variáveis e não são patognomônicos. Incluem depressão, diarreia, edema de cabeça, sinais neurológicos, queda ou interrupção da postura e casca de ovo mole [6].
Cepas altamente virulentas podem causar mortalidade súbita com poucos sinais. A definição da doença para fins de notificação consta no Código Terrestre da WOAH, capítulo 10.9 [6].
Por que a ausência de sinais clínicos não dispensa o teste?
Porque o quadro clínico não identifica o agente. Segundo a WOAH, os sinais de Newcastle se confundem com os da influenza aviária de alta patogenicidade, e por isso o manual recomenda testar as duas doenças na mesma amostragem [6].
O foco de Santa Catarina reforça esse ponto de outra forma: as aves amostradas em 21 de setembro não apresentavam sintomas, e o vírus foi identificado pela vigilância ativa [4]. Em um programa de monitoramento, o resultado laboratorial é o dado que orienta a decisão, e não a aparência do lote.
Para aves vivas, o manual recomenda swabs traqueais ou orofaríngeos e cloacais, ou fezes frescas. Em aves mortas, indica fezes ou swabs cloacais, swabs orofaríngeos ou traqueais e órgãos como pulmão, sacos aéreos, intestino, baço, rins, tonsilas cecais, fígado e coração, com o cérebro processado separadamente [6].
Qual o papel do PCR e quais são seus limites?
A RT-PCR em tempo real é o método mais usado na rotina para Newcastle, por ser rápida e sensível. O manual da WOAH recomenda um teste de triagem com um gene conservado, seguido de sequenciamento do gene F para determinar a virulência e o genótipo [6].
Os métodos se complementam, e cada um tem uma limitação própria [6]:
| Método | Papel segundo a WOAH | Limite |
| RT-PCR em tempo real | Triagem rápida e sensível na rotina | Não define sozinha a virulência |
| Sequenciamento do gene F | Determina virulência e genótipo | Ausência de marcadores não exclui vírus virulentos, por problemas de primers ou populações mistas |
| Isolamento viral em ovos embrionados | Método de referência, usado sobretudo no primeiro caso de um surto | Leva de 2 a 7 dias |
| Sorologia (inibição da hemaglutinação e ELISA) | Detecta resposta de anticorpos | Depende do status vacinal, com valor limitado na vigilância |
Há ainda uma limitação importante. Como vacinas vivas lentogênicas (como LaSota e Hitchner-B1) e mesogênicas são usadas em alguns países, o manual lembra que os ensaios moleculares não distinguem de forma confiável vírus vacinais de vírus de campo, e que a análise filogenética e o sequenciamento ajudam a separar as cepas [6].
O que o foco de 2024 no Rio Grande do Sul ensina?
Em 17 de julho de 2024, um foco em uma granja de Anta Gorda (RS), em uma única ave, levou ao sacrifício de cerca de 15 mil aves e à suspensão das compras pela China no mesmo dia [5].
A revogação da suspensão para o restante do país valeu a partir de 12 de agosto de 2024, depois de 26 dias, mas não se aplicou ao Rio Grande do Sul. Os frigoríficos gaúchos seguiam impedidos de exportar à China em 14 de agosto [5].
O frango gaúcho só foi liberado em janeiro de 2026 [4]. A comparação mostra por que o alcance da medida pesa tanto quanto a própria ocorrência: em 2026, a China limitou a restrição a Santa Catarina desde o início [1][4].
Qual a solução da Bioperfectus para a vigilância de Newcastle?
A Bioperfectus possui o Kit PCR para Detecção do Vírus da Doença de Newcastle, destinado apenas a pesquisa (RUO). A validação para cada espécie e tipo de amostra deve ser feita pelo próprio laboratório, e é apropriado para fazer triagens locais, mas não substitui o diagnóstico oficial, conduzido, no caso de Santa Catarina, pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP) [4].
Como o manual recomenda testar Newcastle e influenza aviária em conjunto, a Bioperfectus possui também o Kit de PCR em Tempo Real para o Vírus da Influenza Aviária (H5/H7/H9) e o Kit PCR para Detecção de Bronquite Infecciosa Aviária, ambos de uso em pesquisa (RUO).
Limitações e leitura crítica dos dados
Os dados do foco vêm de reportagens baseadas em comunicados do MAPA e podem ser atualizados. As fontes consultadas não informam a virulência da cepa, o genótipo nem o número de aves positivas, e o texto não faz inferências sobre eles.
O intervalo de 27 dias entre a coleta das amostras (21 de setembro) e a confirmação (18 de outubro) não é explicado nas fontes. O texto também não apresenta estimativas de perdas econômicas, porque as fontes verificadas não as trazem.
As informações sobre diagnóstico seguem o Manual Terrestre da WOAH, edição de 2021, capítulo 3.3.14, que pode ter atualizações posteriores. As restrições dos países estão descritas até 20 de outubro de 2026 e podem mudar.
Perguntas frequentes
A carne de aves brasileira é segura para consumo?
Segundo o ministro da Agricultura, o consumo de carne de aves com inspeção oficial não oferece risco [4]. A discussão com os importadores trata dos requisitos sanitários de cada mercado, conforme o MAPA [2].
Por que a China restringiu apenas Santa Catarina?
Segundo o MAPA, a negociação do governo brasileiro com Pequim evitou a suspensão nacional. Pelo acordo sanitário, cabe à China definir a abrangência da medida, que atinge 14 das 61 plantas habilitadas a exportar carne de aves ao país [1][3][4].
Newcastle e gripe aviária causam sinais parecidos?
Sim. Os sinais de Newcastle se confundem com os da influenza aviária de alta patogenicidade, e a WOAH recomenda testar as duas doenças na mesma amostragem. Por isso o diagnóstico laboratorial é necessário para separar os dois quadros [6].
Quais amostras são recomendadas para investigar Newcastle em aves?
Em aves vivas, a WOAH recomenda swabs traqueais ou orofaríngeos e cloacais, ou fezes frescas. Em aves mortas, indica fezes ou swabs cloacais, swabs orofaríngeos ou traqueais e órgãos como pulmão, sacos aéreos, intestino, baço e rins [6].
Um PCR positivo basta para afirmar que o vírus é virulento?
Não. A WOAH recomenda uma triagem com gene conservado seguida do sequenciamento do gene F para determinar a virulência e o genótipo. A ausência de marcadores de virulência também não exclui a presença de vírus virulentos [6].
Referências
Foco e restrições comerciais
1. Canal Rural. (2026). Mapa atualiza restrições de importadores após foco de Newcastle em SC (20/10/2026). https://www.canalrural.com.br/aves-e-suinos/mapa-atualiza-restricoes-de-importadores-apos-foco-de-newcastle-em-sc/
2. Correio Braziliense. (2026). China suspende importações de aves de SC após confirmação de doença de Newcastle (20/10/2026). https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/10/7524377-china-suspende-importacoes-de-aves-de-sc-apos-confirmacao-de-doenca-de-newcastle.html
3. FeedFood. (2026). Newcastle: México suspende aves; China e Chile restringem SC. https://feedfood.com.br/newcastle-mexico-suspende-produtos-avicolas-do-brasil-china-e-chile-restringem-sc/
4. Tribuna do Sertão. (2026). China suspende importações de carne de aves de SC após foco da doença de Newcastle; México barra o país inteiro (20/10/2026). https://www.tribunadosertao.com.br/financas/2026/10/20/1001390-china-suspende-importacoes-de-carne-de-aves-de-sc-apos-foco-da-doenca-de-newcastle-mexico-barra-o-pais-inteiro
Precedente de 2024
5. Band Agro. (2024). China retoma importações de frangos brasileiros (14/08/2024). https://www.band.com.br/agro/noticias/china-retoma-importacoes-de-frangos-brasileiros-202408141710
Diagnóstico e definição da doença
6. WOAH. Manual of Diagnostic Tests and Vaccines for Terrestrial Animals, capítulo 3.3.14, Newcastle disease (edição 2021). https://www.woah.org/fileadmin/Home/fr/Health_standards/tahm/3.03.14_NEWCASTLE_DIS.pdf
Conheça a solução
Confira as especificações completas do Kit PCR para Detecção do Vírus da Doença de Newcastle da Bioperfectus, de uso em pesquisa (RUO).



