O Herpesvírus Bovino Tipo 1 (BHV-1), causador da Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR), está presente na maioria dos rebanhos brasileiros e gera abortos e perdas reprodutivas silenciosas. A sorologia isolada não detecta o vírus latente nem a excreção ativa, por isso a PCR em tempo real é o método mais preciso para diagnóstico e vigilância sanitária.
Sumário
- O que é o BHV-1 e como ele causa a IBR em bovinos?
- Qual a soroprevalência do BHV-1 nos rebanhos brasileiros?
- Qual o impacto financeiro do BHV-1 para o produtor rural?
- Sorologia, isolamento viral ou PCR: qual o método mais indicado para diagnosticar BHV-1?
- Qual a solução da Bioperfectus para diagnóstico de BHV-1?
- Perguntas frequentes
O que é o BHV-1 e como ele causa a IBR em bovinos?
O BHV-1 é um herpesvírus de DNA de dupla fita, altamente contagioso, pertencente ao gênero Varicellovirus. A infecção pode se manifestar de quatro formas, respiratória (febre, secreção nasal, tosse), genital (vulvovaginite pustular, balanopostite), nervosa (em casos raros e graves) e reprodutiva (infertilidade temporária, morte embrionária e abortos, geralmente entre o sexto e o oitavo mês de gestação). Depois da infecção inicial, o animal pode permanecer portador para o resto da vida, já que o vírus estabelece latência em gânglios nervosos e pode reativar em situações de estresse ou imunossupressão, tornando-se fonte de disseminação mesmo sem sinais clínicos visíveis.
Qual a soroprevalência do BHV-1 nos rebanhos brasileiros?
Uma metanálise de 49 estudos conduzidos no Brasil entre 2000 e 2020 estimou soroprevalência de 54,12% na população bovina em geral e de 88,53% entre os rebanhos avaliados, ou seja, quase 9 em cada 10 rebanhos brasileiros têm pelo menos um animal exposto ao vírus. Essa alta disseminação é compatível com o próprio comportamento biológico do BHV-1, sua capacidade de latência dificulta a eliminação natural do vírus da população e favorece a manutenção da circulação viral ao longo de gerações de animais.

Qual o impacto financeiro do BHV-1 para o produtor rural?
O Brasil mantém o segundo maior rebanho bovino do mundo, com 238,2 milhões de cabeças em 2025, atrás apenas da Índia, e é o maior exportador mundial de carne bovina. O país também exporta sêmen e embriões bovinos para dezenas de países, um mercado que depende diretamente de certificação sanitária internacional, já que a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) trata o BHV-1 como uma das doenças de triagem obrigatória para o comércio de material genético bovino.
A mesma metanálise citada acima estima 258.779 abortos por ano associados ao BHV-1 no país, resultando em um prejuízo de aproximadamente US$ 48,4 milhões, uma estimativa conservadora, já que considera exclusivamente perdas por aborto, sem contar queda na produção de leite, infertilidade temporária, retenção de placenta, metrite subsequente e custos com repetição de serviço. A literatura internacional aponta perdas adicionais de US$ 25 a 50 por cabeça em rebanhos leiteiros afetados.

Sorologia, isolamento viral ou PCR: qual o método mais indicado para diagnosticar BHV-1?
Segundo o Manual Terrestre da WOAH (2024), qualquer animal com anticorpos contra o vírus é considerado portador em potencial e pode excretar o vírus de forma intermitente, mesmo sem sinais clínicos. Isso significa que a sorologia isolada, embora útil para triagem populacional e para movimentação de animais, não diz se um animal está eliminando vírus ativamente no momento do teste, nem detecta a fase latente da infecção nos gânglios nervosos
O isolamento viral, por sua vez, é mais lento e menos sensível do que a PCR, além de depender de vírus viável na amostra. O próprio manual da WOAH classifica a PCR em tempo real como “o padrão mais avançado disponível” para confirmação de casos clínicos.
| Método | Detecta potencial disseminação do vírus na fase latente? | Tempo de resultado | Limitação principal |
| Sorologia | Não | Rápido | Não diferencia infecção ativa de exposição passada |
| Isolamento viral | Não | 3 a 7 dias | Mais lento, depende de vírus viável na amostra |
| PCR em tempo real | Sim | 1 a 2 dias | Requer estrutura laboratorial |
No entanto, o BHV-1 permanece latente nos gânglios nervosos depois da infecção inicial, e um animal portador latente pode apresentar um resultado de PCR negativo se o vírus não estiver se replicando no momento da coleta, sobretudo quando a amostra é um swab nasal ou genital, em vez do próprio tecido ganglionar. A fim de solucionar essa questão, em centrais de inseminação artificial e em programas de certificação sanitária, sorologia e PCR costumam ser usadas em conjunto.
A sorologia sinaliza a exposição prévia ao vírus, inclusive em portadores latentes sem replicação ativa no momento da coleta, e a PCR confirma se há excreção viral ativa naquele momento, uma combinação mais robusta para a segurança sanitária do que qualquer um dos dois métodos isolados.

Qual a solução da Bioperfectus para diagnóstico de BHV-1?
O Kit de PCR em Tempo Real para Detecção do Herpesvírus Bovino Tipo 1 (BHV-1) da Bioperfectus foi desenvolvido para identificar o DNA viral em amostras clínicas bovinas com elevada sensibilidade e especificidade, inclusive em amostras com baixa carga viral. O ensaio é voltado a laboratórios de diagnóstico veterinário, programas de vigilância epidemiológica e monitoramento sanitário de rebanhos, sendo compatível com plataformas convencionais de PCR em tempo real já presentes na rotina laboratorial.

Perguntas frequentes
A sorologia é suficiente para diagnosticar IBR em um rebanho?
Não sozinha. Ela é útil para triagem populacional, mas não indica se o animal está eliminando vírus ativamente.
Por que um animal sem sintomas pode transmitir o BHV-1?
Porque o vírus estabelece latência em gânglios nervosos e pode reativar em situações de estresse ou imunossupressão, mesmo sem sinais clínicos visíveis.
Quanto tempo leva o resultado da PCR comparado ao isolamento viral?
A PCR em tempo real entrega resultado em 1 a 2 dias, contra 3 a 7 dias do isolamento viral clássico.
Referências
Epidemiologia e impacto econômico
1. Silva, B. P., Aragão, B. B., & Pinheiro Junior, J. W. (2021). Economic impacts of Bovine alphaherpesvirus 1 infection in Brazil: Meta-analysis based on epidemiological indicators. Semina: Ciências Agrárias, 42(6), 3355–3372. https://doi.org/10.5433/1679-0359.2021v42n6p3355
2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (2025). Pesquisa da Pecuária Municipal, efetivo do rebanho bovino brasileiro (outubro de 2025).
3. Cavalcante, F. A. (2000). Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (Nariz Vermelho), Diagnóstico e Controle. Embrapa Acre, Instruções Técnicas, n. 28.
Diagnóstico veterinário
4. World Organisation for Animal Health (WOAH). (2024). Infectious Bovine Rhinotracheitis / Infectious Pustular Vulvovaginitis. Terrestrial Manual, Cap. 3.4.11.
5. Graham, D. A. (2013). Bovine herpes virus-1 (BoHV-1) in cattle, a review with emphasis on reproductive impacts and the emergence of infection in Ireland and the United Kingdom. Irish Veterinary Journal, 66, 15. https://doi.org/10.1186/2046-0481-66-15
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